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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma longa viagem com José Saramago

Tópicos
Os professores são realmente os heróis do nosso tempo....
A família existe para sustentar os filhos....
O processo de desprezar o outro...
A escola não educa porque não sabe e porque não tem os meios para fazer...

A direita para governar não precisa de ideias só precisa de autoridade

Um regime absolutamente hipócrita que chama democracia a uma situação em que os cidadãos não têm outro papel senão o de votar

sábado, 1 de novembro de 2008

Optimistas Ingénuos & Optimistas Informados

".....Em matéria de pensamento nem tudo é negativo ou positivo. O exemplo dos depressivos mostra que o pessimismo permanente pode ser tão completamente infundado e enganador como o seu contrário. A outra opção possível é o realismo: ver os riscos, ter a coragem de dar más notícias e estar preparado tanto para a escassez como para a abundância. Devíamos tentar. "

in "courier Internacional", Novembro de 2008, Barbara Ehrenreich

Nesta linha encontra-se também José Saramago, que não se considera um pessimista mas sim um optimista informado.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A ilha desconhecida

Trata-se de um enredo envolvendo um Rei, uma mulher da limpeza, um homem determinado e uma ilha desconhecida [Texto integral]

Injustiça Globalizada

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O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real função que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa, refiro-me obviamente ao poder económico, em particular a parte dele, sempre em aumento, gerido pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm a ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira.

......

Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões de tráfego tudo se discute.....,é urgente, antes que se torne demasido tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre a relação entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial.[Texto Integral]

José Saramago

Saberemos cada vez menos o que é um ser humano

"Era uma vez, no antigo país das fábulas, uma família em que havia um pai, uma mãe, um avô que era pai do pai e aquela já mencionada criança de oito anos, um rapazinho. Ora sucedia que o avô já tinha muita idade, por isso tremiam-lhe as mãos e deixava cair a comida da boca quando estava à mesa, o que causava grande irritação ao filho e à nora, sempre a dizerem-lhe que tivesse cuidado com o que fazia, mas o probre velho, por mais que quisesse, não conseguia conter as tremuras, pior ainda se lhe ralhavam, e o resultado era estar sempre a sujar a toalha ou a deixar cair comida para o chão, para já não falar do guardanapo que lhe atavam ao pescoço e que era preciso mudar-lhe três vezes ao dia, ao almoço ao jantar e à ceia. Estavam as coisas neste pé e sem nenhuma expectativa de melhora quando o filho resolveu acabar com a desagradável situação. Apareceu em casa com uma tigela de madeira e disse ao pai, A partir de hoje passará a comer daqui, senta-se na soleira da porta porque é mais fácil de limpar e assim já a sua nora não terá de preocupar-se com tantas toalhas e tantos guardanapos sujos. E assim foi. Almoço, jantar e ceia, o velho sentado sózinho na soleira da porta, levando a comida à boca conforme lhe era possível, metade perdia-se no caminho, uma parte de outra parte escorria-lhe pelo queixo abaixo, não era muito o que descia finalmente pelo que o vulgo chama canal da sopa. Ao neto parecia não lhe importar o feio tratamento que estavam a dar ao avô, olhava-o, depois olhava o pai e a mãe, e continuava a comer como se nada tivesse a ver com o caso. Até que uma tarde,ao regressar do trabalho, o pai viu o filho a trabalhar com uma navalha um pedaço de madeira e julgou que, como era normal e corrente nessas épocas remotas, estivesse a construir um brinquedo com as suas próprias mãos.....Não ouviste, que estás a fazer ......e o filho sem levantar a vista da operação, respondeu, Estou a fazer uma tijela para quando o pai for velho e lhe tremerem as mãos......Foram palavras santas....."
in "As intermitências da Morte" José Saramago

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