Choné é uma ovelha que não segue o seu rebanho. Na realidade, ela conduz os companheiros para situações estranhas. Depois, as ovelhas encontram sempre forma de impedir que o cão de guarda conte ao dono da quinta o que se passou nas suas costas. Quando Choné está por perto, a vida no campo não é a mesma. Passa na RTP2.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 11 de março de 2008
HotSpot (Wi-Fi)
Tendo em conta a aposta nas novas tecnologias para mim seria óbvio apetrechar as escolas com HotSpot (Wi-Fi). Pois é existem em quase todo o lado, nas escolas é mentira. São as prioridades dos nossos governantes e dos nossos empresários...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Atenção aos Recreios(conclusão)
A Escola como todos mostramos saber tem de entre as suas competências uma, que nos dias de hoje, tem merecido inúmeros cuidados e atenções: a competência da educação/formação da criança. Inúmeros são os métodos de ensino/aprendizagem, diversas as estratégias, variados os recursos pedagógicos. Este será o cenário mais actual do obscuro panorama escolar. Obscuro, porque de entre o desejo de se melhorar e mostrar os avanços alcançados verifico a par de tudo isso a facilidade com que se escorrega pela rampa do encobrimento de situações dramáticas porque humanas. Assiste-se a uma atitude de tudo é permitido desde que ninguém veja ou saiba.
Sou da opinião de que as palavras também assassinam - então onde está o cuidado e a responsabilidade do que digo a uma criança? O que assisto é ao uso indiscriminado de vocábulos ofensivos e impróprios serem manuseados na boca de funcionários e professoras.
Sei por dificuldade que a realidade é hoje em dia bastante heterogénea de situações, ritmos e características, mas sei também que existe uma consciência da qual não nos podemos demitir - é a consciência colectiva. Com a individual cada um faz o que quer, mas na colectiva existe a máxima da responsabilidade de cada um que cala o errado porque teme o confronto, de cada um que ignora o distúrbio porque é mais fácil, de cada um que espera que o outro faça, em poucas palavras existe a máxima responsabilidade de não fingir que situações de violência infantil nos recreios de uma Escola são normais.
O horror quer instalar-se no coração e pensamento de algumas crianças da nossa Escola. Soluções não as tenho, mas sei que a resposta à violência não pode ser a violência verbal ou física, nem o fingimento de que tudo está bem.
Não está nada...Eu não quero entender porque não fazemos diferente há coisas onde o entendimento do espírito falha e o coração não consegue alcançar. Não adormeci o porquê, mas tenho medo da sua explicação. Porque é a explicação dos que já não sentem certamente...e eu quero sentir toda a vida...sentir que o medo apodrece os dons e a vida, que a violência é o grito macabro do pedido de socorro, de que o não envolvimento de quem de direito deve envolver-se nas questões é o registo mais ignorante do progresso humano.
Aqui as crianças sofrem. Os meninos no recreio são ameaçados por outros, batidos e umas vezes espancados, cuspidos e muitas vezes pouco atendidos por algumas funcionárias. Têm medo e eu também, porque tudo o que digo muito provavelmente não conseguirei provar, porque também os Pais muitas vezes não gritam pelo legítimo bem-estar dos filhos, mas tenho sobretudo porque a dor destas crianças não prova nada e eu não sei que mais posso fazer para que alguém aceite validar por escrito tudo o que digo e ainda tudo o que irei descobrir. Tenho Medo também, mas hoje tenho outra coisa ESPERANÇA.....
Sou da opinião de que as palavras também assassinam - então onde está o cuidado e a responsabilidade do que digo a uma criança? O que assisto é ao uso indiscriminado de vocábulos ofensivos e impróprios serem manuseados na boca de funcionários e professoras.
Sei por dificuldade que a realidade é hoje em dia bastante heterogénea de situações, ritmos e características, mas sei também que existe uma consciência da qual não nos podemos demitir - é a consciência colectiva. Com a individual cada um faz o que quer, mas na colectiva existe a máxima da responsabilidade de cada um que cala o errado porque teme o confronto, de cada um que ignora o distúrbio porque é mais fácil, de cada um que espera que o outro faça, em poucas palavras existe a máxima responsabilidade de não fingir que situações de violência infantil nos recreios de uma Escola são normais.
O horror quer instalar-se no coração e pensamento de algumas crianças da nossa Escola. Soluções não as tenho, mas sei que a resposta à violência não pode ser a violência verbal ou física, nem o fingimento de que tudo está bem.
Não está nada...Eu não quero entender porque não fazemos diferente há coisas onde o entendimento do espírito falha e o coração não consegue alcançar. Não adormeci o porquê, mas tenho medo da sua explicação. Porque é a explicação dos que já não sentem certamente...e eu quero sentir toda a vida...sentir que o medo apodrece os dons e a vida, que a violência é o grito macabro do pedido de socorro, de que o não envolvimento de quem de direito deve envolver-se nas questões é o registo mais ignorante do progresso humano.
Aqui as crianças sofrem. Os meninos no recreio são ameaçados por outros, batidos e umas vezes espancados, cuspidos e muitas vezes pouco atendidos por algumas funcionárias. Têm medo e eu também, porque tudo o que digo muito provavelmente não conseguirei provar, porque também os Pais muitas vezes não gritam pelo legítimo bem-estar dos filhos, mas tenho sobretudo porque a dor destas crianças não prova nada e eu não sei que mais posso fazer para que alguém aceite validar por escrito tudo o que digo e ainda tudo o que irei descobrir. Tenho Medo também, mas hoje tenho outra coisa ESPERANÇA.....
Atenção aos Recreios(2)
Como Mãe atenta e preocupada e que se interessa principalmente com o bem estar físico e psíquico dos meus filhos e com o futuro deles, não posso ficar calada com o que se passa nesta escola.
Desde que o meu filho mais velho veio para esta Escola que tudo mudou na nossa vida para pior. Desde o início do ano lectivo que os problemas começaram. Primeiro foram os pequenos roubos de material que lhe tiravam de dentro da mochila, inclusive na sala de aula, roubo do lanche que levava de casa (tinha que ter muito cuidado com o que mandava para o lanche, se não fosse pão com manteiga era imediatamente roubado).
Depois passou para "pequenas" agressões que nunca são pequenas, um murro aqui, um pontapé ali. Até que um dia foi amarrado no recreio por 5 ciganos a uma árvore, com uma corda apertada à barriga. Quanto mais o André (o meu filho) chorava mais o apertavam e magoavam. Ficou nessa situação bastante tempo, uma vez que tocou para a entrada e depois de todos estarem dentro da sal de aula, ninguém deu por falta dele (uma vez que a professora faltou e o André teve que ir para outra sala), o que não justifica a outra professora, uma vez que fica responsável por todos os alunos que tem na sala.
Só se aperceberam da situação porque o melhor amigo dele passado um tempo deu pela sua falta e foi procurá-lo. Pelo que me conta o André, uma das funcionárias apercebeu-se da situação.
Uma pergunta eu faço: Porque é que ninguém me contou o que se estava a passar, sabendo da situação?
Só descobri três semanas mais tarde, quando depois de perceber em casa que a criança não andava bem, que tinha atitudes estranhas. Um dia consegui que ele desabafasse porque já não aguentava mais.
Ele não me contava porque estava ameaçado que se contasse aos Pais, eles levavam facas e que lhe voltavam a fazer mal.
Nova pergunta: Quando fomos à Escola expor a situação, porque é que os agressores não foram punidos, uma vez que o André sabia quem eram?
Tentaram enganar-nos dizendo que tinha havido algumas situações, mas que as coisas iriam ser diferentes. Diferentes em quê? Tudo está na mesma, ou pior, uma vez que as situações repetem-se e quem sofre são as crianças.
Quando as crianças tentam pedir ajuda às funcionárias, como no caso do meu filho, ainda dizem que eles são queixinhas e que resolvam sozinhos.
Depois de um ano lectivo em que o André teve de resolver todos os problemas e conflitos sozinho, entrou num estado de grande tristeza e sem vontade para nada, passando os 2 meses de férias de Verão sempre em pânico a contar os dias que faltam para começar as aulas.
Começou o ano lectivo presente, novos problemas surgiram. Dentro da própria sala de aula tinha três ciganos que o perseguiam (a palavra é essa mesmo). Cada dia era pior que o outro. O mais velho deles tem 14 anos no 2º ano de escolaridade (o que é impensável) fazia-lhe a vida negra.
O André (7 anos) começou a ter problemas sérios em ir à Escola. Aos poucos foi deixando de ir, porque o que sentia era demasiado forte e na Escola podia ficar duas horas aos gritos que ninguém queria saber se ele tinha medo ou não.
Também ninguém se importava se ele ia às aulas ou se ficava em casa com medo.
A "facada" final foi quando depois de eu tentar tudo para conseguir mudá-lo de Escola e ver que sozinha , sem a ajuda da professora (que neste caso também é a Directora da Escola) não o conseguiria. O André numa tentativa desesperada para que o ajudassem, foi à porta da sala da professora e a chorar implorava quase de joelhos e dizia: "Professora, por favor, ajuda-me a mudar de Escola, eu quero sair daqui".
Como resposta da Directora/Professora, ao ver o André em pânico, foi um simples seco e frio: "Eu não posso fazer nada, os teus Pais é que têm que arranjar uma Escola".
Quando mais precisava de carinho e apoio levou com uma "facada" nas costas, foi o fim e percebi que realmente estava sozinha numa situação da qual não tive a mínima culpa e que puseram toda a responsabilidade em mim para lhe arranjar uma escola, quando o ano lectivo já tinha começado e não havia vagas em nenhum lado. Fui a todas as portas possíveis e percebi que eu como Mãe não tinha nenhuma força, mas várias pessoas foram claras ao dizer que bastava a Directora descrever a situação a qualquer Escola, ou um simples telefonema a relatar a situação e a transferência tinha sido conseguida.
Toda esta situação foi passada dentro da escola, nos recreios da Escola e inclusive na sala de aula, pelo que a Directora tem toda a responsabilidade de ajudar uma criança cujo mal-estar físico e emocional foi causado dentro da Escola.
Pela urgência da situação e porque a criança estava a ficar num estado de profunda depressão em que o simples acto de sair à rua o assustava, com medo de tudo e de todos e mais grave com ideias suicidas e desejo de morrer, eu consegui graças à boa vontade da Directora de um Colégio Particular matricular o meu filho nesse colégio, porque era urgente ele voltar ao contacto com a Escola, professores e alunos, antes que fosse tarde demais.
Porque eu tenho que alterar toda a minha vida familiar e ter de pagar um colégio privado, quando as pessoas que lhe fizeram mal continuam lá e são tratadas com festas na cabeça para evitar complicações?
O meu filho saiu, mas a mágoa e as consequências que essa Escola lhe trouxe a ele e a toda a família ficam marcadas para uma vida.
Resta acrescentar que a partir do momento em que a situação do meus filho começou a ser falada, foram várias as Mães que vieram ter comigo e contaram diversas situações de violência e maus tratos que também tinham acontecido com os seus filhos.
Resta pensar que a continuar assim, estão a formar adultos conflituosos e agressivos (uma vez que a convivência com a agressividade gera comportamentos agressivos).
Que futuro é o dos nosso filhos?
Desde que o meu filho mais velho veio para esta Escola que tudo mudou na nossa vida para pior. Desde o início do ano lectivo que os problemas começaram. Primeiro foram os pequenos roubos de material que lhe tiravam de dentro da mochila, inclusive na sala de aula, roubo do lanche que levava de casa (tinha que ter muito cuidado com o que mandava para o lanche, se não fosse pão com manteiga era imediatamente roubado).
Depois passou para "pequenas" agressões que nunca são pequenas, um murro aqui, um pontapé ali. Até que um dia foi amarrado no recreio por 5 ciganos a uma árvore, com uma corda apertada à barriga. Quanto mais o André (o meu filho) chorava mais o apertavam e magoavam. Ficou nessa situação bastante tempo, uma vez que tocou para a entrada e depois de todos estarem dentro da sal de aula, ninguém deu por falta dele (uma vez que a professora faltou e o André teve que ir para outra sala), o que não justifica a outra professora, uma vez que fica responsável por todos os alunos que tem na sala.
Só se aperceberam da situação porque o melhor amigo dele passado um tempo deu pela sua falta e foi procurá-lo. Pelo que me conta o André, uma das funcionárias apercebeu-se da situação.
Uma pergunta eu faço: Porque é que ninguém me contou o que se estava a passar, sabendo da situação?
Só descobri três semanas mais tarde, quando depois de perceber em casa que a criança não andava bem, que tinha atitudes estranhas. Um dia consegui que ele desabafasse porque já não aguentava mais.
Ele não me contava porque estava ameaçado que se contasse aos Pais, eles levavam facas e que lhe voltavam a fazer mal.
Nova pergunta: Quando fomos à Escola expor a situação, porque é que os agressores não foram punidos, uma vez que o André sabia quem eram?
Tentaram enganar-nos dizendo que tinha havido algumas situações, mas que as coisas iriam ser diferentes. Diferentes em quê? Tudo está na mesma, ou pior, uma vez que as situações repetem-se e quem sofre são as crianças.
Quando as crianças tentam pedir ajuda às funcionárias, como no caso do meu filho, ainda dizem que eles são queixinhas e que resolvam sozinhos.
Depois de um ano lectivo em que o André teve de resolver todos os problemas e conflitos sozinho, entrou num estado de grande tristeza e sem vontade para nada, passando os 2 meses de férias de Verão sempre em pânico a contar os dias que faltam para começar as aulas.
Começou o ano lectivo presente, novos problemas surgiram. Dentro da própria sala de aula tinha três ciganos que o perseguiam (a palavra é essa mesmo). Cada dia era pior que o outro. O mais velho deles tem 14 anos no 2º ano de escolaridade (o que é impensável) fazia-lhe a vida negra.
O André (7 anos) começou a ter problemas sérios em ir à Escola. Aos poucos foi deixando de ir, porque o que sentia era demasiado forte e na Escola podia ficar duas horas aos gritos que ninguém queria saber se ele tinha medo ou não.
Também ninguém se importava se ele ia às aulas ou se ficava em casa com medo.
A "facada" final foi quando depois de eu tentar tudo para conseguir mudá-lo de Escola e ver que sozinha , sem a ajuda da professora (que neste caso também é a Directora da Escola) não o conseguiria. O André numa tentativa desesperada para que o ajudassem, foi à porta da sala da professora e a chorar implorava quase de joelhos e dizia: "Professora, por favor, ajuda-me a mudar de Escola, eu quero sair daqui".
Como resposta da Directora/Professora, ao ver o André em pânico, foi um simples seco e frio: "Eu não posso fazer nada, os teus Pais é que têm que arranjar uma Escola".
Quando mais precisava de carinho e apoio levou com uma "facada" nas costas, foi o fim e percebi que realmente estava sozinha numa situação da qual não tive a mínima culpa e que puseram toda a responsabilidade em mim para lhe arranjar uma escola, quando o ano lectivo já tinha começado e não havia vagas em nenhum lado. Fui a todas as portas possíveis e percebi que eu como Mãe não tinha nenhuma força, mas várias pessoas foram claras ao dizer que bastava a Directora descrever a situação a qualquer Escola, ou um simples telefonema a relatar a situação e a transferência tinha sido conseguida.
Toda esta situação foi passada dentro da escola, nos recreios da Escola e inclusive na sala de aula, pelo que a Directora tem toda a responsabilidade de ajudar uma criança cujo mal-estar físico e emocional foi causado dentro da Escola.
Pela urgência da situação e porque a criança estava a ficar num estado de profunda depressão em que o simples acto de sair à rua o assustava, com medo de tudo e de todos e mais grave com ideias suicidas e desejo de morrer, eu consegui graças à boa vontade da Directora de um Colégio Particular matricular o meu filho nesse colégio, porque era urgente ele voltar ao contacto com a Escola, professores e alunos, antes que fosse tarde demais.
Porque eu tenho que alterar toda a minha vida familiar e ter de pagar um colégio privado, quando as pessoas que lhe fizeram mal continuam lá e são tratadas com festas na cabeça para evitar complicações?
O meu filho saiu, mas a mágoa e as consequências que essa Escola lhe trouxe a ele e a toda a família ficam marcadas para uma vida.
Resta acrescentar que a partir do momento em que a situação do meus filho começou a ser falada, foram várias as Mães que vieram ter comigo e contaram diversas situações de violência e maus tratos que também tinham acontecido com os seus filhos.
Resta pensar que a continuar assim, estão a formar adultos conflituosos e agressivos (uma vez que a convivência com a agressividade gera comportamentos agressivos).
Que futuro é o dos nosso filhos?
Atenção aos Recreios(1)
Por lei há dois professores nomeados para vigiar o recreio. Através das crianças e de alguns docentes soubemos que isso era só lei e não prática corrente. Este depoimento e o seguinte baseiam-se em histórias verídicas, numa escola do 1º ciclo do ensino básico investigadas por uma monitora de ATL, a pedido da Associação de Pais. No momento de agir muitos foram os que se acobardaram e a história não teve o impacto que deveria ter, fica aqui o relato, a título de alerta, é o mínimo que posso fazer. Os nomes são fictícios para proteger a identidade dos intervenientes, os factos, esses remontam a alguns anos atrás, se a memória não me falha, antes ainda do Escândalo Casa Pia ter rebentado. Em última análise todos somos culpados de situações como esta. Sempre que remexo o baú das recordações e releio estes depoimentos, sinto arrepios e partilho do sentimento de impotência sentido pela autora.
João brincava com uns carrinhos no recreio da Escola. Três colegas chamaram o João: "- João vem cá." Ele foi. Enquanto o cercavam disseram-lhe: " - Vais chupar na pila do Luís." O João respondeu não e tentou fugir quando um deles de estatura e físico superiores ao seu o agarrou pela cintura, obrigando-o a dobrar-se e pressionando-lhe a cabeça para baixo. Obrigando-o assim, a introduzir o pénis do colega que entretanto se despira, na sua boca. O João tentou escapar, não conseguiu. O João mordeu o Luís. Foi quando lhe bateram e ele conseguiu escapar ao cerco.
Durante dias o João em casa nada disse, estava ameaçado por eles. Nos dias posteriores que se traduziram em meses o João foi diversas vezes batido por esses colegas, chegando inclusive a desmaiar.
Em casa continuava a nada se saber.
Na Escola já corriam boatos. As agressões ao João não foram comunicadas aos Pais.
Um dia o João, depois de um longo silêncio, não aguentou mais e contou ao irmão que posteriormente avisou a Mãe.
O João não queria ir mais à Escola. Foi tudo comunicado à Directora da Escola de então e pelos seus Pais o caso foi enviado à DREL, onde informaram a Mãe do João que tinha sido aberto um inquérito para apurar responsabilidades.
O João mudou de Escola a meio do ano. O João terminou pelo menos o pesadelo de ali estar, naquela Escola, onde foi maltratado.
O João é só uma criança que um dia foi para a Escola para aprender coisas e crescer mais e melhor.
Sobre o João posso acrescentar que pertenceu ao grupo de crianças dos Tempos Livres, do qual fui monitora. Via muitas vezes no João comportamentos violentos e atitudes de revolta que oscilavam com atitudes de carinho e ternura.
Notei no comportamento do João também, situações como a de chegar a uma janela da sala e dizer que se ia matar.
Era evidente que estava em sofrimento. Rasgava os trabalhos dos colegas e os seus, magoava-se propositadamente e testava os seus próprios níveis de dor no seu corpo, através de pequenas mutilações, como por exemplo espetar o lápis no dedo ou na sua mão, muitas vezes a sorrir e a chorar ao mesmo tempo. Tudo isto foi comunicado à Mãe da criança, à coordenadora de então dos Tempos Livres e à Directora da Escola. Sei que o João foi consultado pela Psicóloga da Escola que referiu que ele estava bem, não se encontrava afectado pelo que aconteceu e que era uma criança que necessitava de regras. Foi este o comentário que a Professora fez comigo. Professora essa que sempre se mostrou interessada com este caso.
Resta-me concluir que não sei o que afecta uma criança, pois se os comportamentos dela não são referência do seu estado, então o que é?
Senti-me impotente para resolver a situação pois não só não era da minha competência escolar como tudo leva um tempo a ser investigado, tratado, resolvido, creio eu. Pois pensei acontecer assim com este caso.
O João mudou de Escola.
Não me encontro em condições de tecer comentários sustentados à actuação dos diferentes intervenientes neste caso, visto não ter acesso nem em meu poder, os documentos necessários a isso, sei todavia e pelo medo (de agressões) que ainda hoje se sente entre as crianças desta Escola que o que se fez não foi suficiente e que o silêncio não apaga nem resolve estes erros de acção.
Trabalhamos com crianças e isso dá-nos responsabilidade de saber apurar a competência ao receber ao nosso cuidado o valor de uma vida, a deles, destes meninos, destas escolas, onde somos todos responsáveis.
Onde o silêncio é a trave da incompetência.
Não tenho soluções, mas sei que assim não é maneira de se fazer.
Ao João.
João brincava com uns carrinhos no recreio da Escola. Três colegas chamaram o João: "- João vem cá." Ele foi. Enquanto o cercavam disseram-lhe: " - Vais chupar na pila do Luís." O João respondeu não e tentou fugir quando um deles de estatura e físico superiores ao seu o agarrou pela cintura, obrigando-o a dobrar-se e pressionando-lhe a cabeça para baixo. Obrigando-o assim, a introduzir o pénis do colega que entretanto se despira, na sua boca. O João tentou escapar, não conseguiu. O João mordeu o Luís. Foi quando lhe bateram e ele conseguiu escapar ao cerco.
Durante dias o João em casa nada disse, estava ameaçado por eles. Nos dias posteriores que se traduziram em meses o João foi diversas vezes batido por esses colegas, chegando inclusive a desmaiar.
Em casa continuava a nada se saber.
Na Escola já corriam boatos. As agressões ao João não foram comunicadas aos Pais.
Um dia o João, depois de um longo silêncio, não aguentou mais e contou ao irmão que posteriormente avisou a Mãe.
O João não queria ir mais à Escola. Foi tudo comunicado à Directora da Escola de então e pelos seus Pais o caso foi enviado à DREL, onde informaram a Mãe do João que tinha sido aberto um inquérito para apurar responsabilidades.
O João mudou de Escola a meio do ano. O João terminou pelo menos o pesadelo de ali estar, naquela Escola, onde foi maltratado.
O João é só uma criança que um dia foi para a Escola para aprender coisas e crescer mais e melhor.
Sobre o João posso acrescentar que pertenceu ao grupo de crianças dos Tempos Livres, do qual fui monitora. Via muitas vezes no João comportamentos violentos e atitudes de revolta que oscilavam com atitudes de carinho e ternura.
Notei no comportamento do João também, situações como a de chegar a uma janela da sala e dizer que se ia matar.
Era evidente que estava em sofrimento. Rasgava os trabalhos dos colegas e os seus, magoava-se propositadamente e testava os seus próprios níveis de dor no seu corpo, através de pequenas mutilações, como por exemplo espetar o lápis no dedo ou na sua mão, muitas vezes a sorrir e a chorar ao mesmo tempo. Tudo isto foi comunicado à Mãe da criança, à coordenadora de então dos Tempos Livres e à Directora da Escola. Sei que o João foi consultado pela Psicóloga da Escola que referiu que ele estava bem, não se encontrava afectado pelo que aconteceu e que era uma criança que necessitava de regras. Foi este o comentário que a Professora fez comigo. Professora essa que sempre se mostrou interessada com este caso.
Resta-me concluir que não sei o que afecta uma criança, pois se os comportamentos dela não são referência do seu estado, então o que é?
Senti-me impotente para resolver a situação pois não só não era da minha competência escolar como tudo leva um tempo a ser investigado, tratado, resolvido, creio eu. Pois pensei acontecer assim com este caso.
O João mudou de Escola.
Não me encontro em condições de tecer comentários sustentados à actuação dos diferentes intervenientes neste caso, visto não ter acesso nem em meu poder, os documentos necessários a isso, sei todavia e pelo medo (de agressões) que ainda hoje se sente entre as crianças desta Escola que o que se fez não foi suficiente e que o silêncio não apaga nem resolve estes erros de acção.
Trabalhamos com crianças e isso dá-nos responsabilidade de saber apurar a competência ao receber ao nosso cuidado o valor de uma vida, a deles, destes meninos, destas escolas, onde somos todos responsáveis.
Onde o silêncio é a trave da incompetência.
Não tenho soluções, mas sei que assim não é maneira de se fazer.
Ao João.
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